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Hospital de Caridade e Beneficência

  • patrimonioreligios
  • 23 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 29 de ago. de 2025

História

1. - Primeiro prédio 1922 / Foto: Museu/Arquivo.
1. - Primeiro prédio 1922 / Foto: Museu/Arquivo.

A Sociedade Beneficente Hospital de Caridade foi inaugurada em 11 de dezembro de 1910 pelo diretor da época Dr. Candido Alves Machado de Freitas. Entretanto, alguns anos antes, em 28 de agosto de 1903, foi lançada a pedra fundamental do antigo Asilo da Caridade.

  Em janeiro de 1919, com a contratação das primeiras Irmãs de Caridade, foi construída a Capela de Santa Catarina de Alexandria, que foi inaugurada pelo Dr. Balthazar de Bem. Ela previa o atendimento de enfermagem e manipulação de uma farmácia.

  Sob a direção de Ernesto Müller, em 1925, a diretoria do hospital discute a possibilidade da construção de um novo edifício. Dessa forma, o primeiro prédio seria de uso exclusivo aos pacientes com doenças contagiosas. No ano de 1926, instalou-se uma farmácia na lateral esquerda do edifício.

Já em 16 de setembro de 1935, a Praça Itororó, doada pelo município, foi escolhida para a construção. Assim, dois anos depois, ocorreu a abertura da concorrência pública para o projeto do segundo edifício do hospital, com apresentação de um projeto do engenheiro José Stamme pelo Dr. Milán Kras. Entretanto, para efeito de competência, a diretoria decide avaliar outros projetos e para isso, cria a comissão de estudos e projetos. Em junho, do mesmo ano, a proposta de Costa & Hartmann e Theo Wiederspahn foi aprovada pelo relator da comissão, Capitão José Diogo Brochado.

Passados seis meses, o contrato de construção com a firma Schuetz & Matheis, de Santa Cruz, foi formalizado, com Edwino Schneider como provedor. Logo, em 9 de janeiro de 1938, lançou-se a pedra fundamental do segundo prédio do hospital e, no dia 4 de setembro, houve a cerimônia do levantamento da cumeeira do mesmo.

Em 1967, a partir da maior demanda por espaço, ocorreu o início da construção de um novo prédio, que foi finalizado apenas em 1982. Apesar de que, em 1970, a Escola de Auxiliares de Enfermagem, a cozinha dietética e o auditório começaram a funcionar, assim como, nos anos posteriores, as capelas mortuárias, o setor de traumatologia e o setor de Raio X.


Apelo aos Corações Generosos


O artigo "Apelo aos Corações Generosos", publicado pelo advogado Ernesto Barros no jornal "O Comércio", solicitava o apoio da população de Cachoeira do Sul para a construção do primeiro edifício do hospital da cidade. Sua proposta foi rapidamente apoiada por Domingos Luiz de Abreu, Modesto Soares de Almeida, Liberato Vieira da Cunha e Júlio Peixoto de Oliveira Barcellos. A construção foi viabilizada por campanhas de arrecadação comunitária e o projeto elaborado voluntariamente pelo construtor Manoel Gomes Pereira.

Desde 1970, o prédio abriga a Escola HCB e atualmente é tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico-Cultural (COMPAHC). Originalmente com 11,90 metros de frente e 23,5 metros de fundos, o hospital apresenta estilo eclético com influências militares e, após 16 anos da construção, ocorreu a instalação de uma farmácia popular adjacente.


Primeiro Edifício HCB


Uma das características do prédio que mais remetem aos aspectos da arquitetura eclética é a platibanda, para esconder o telhado, e a balaustrada, "guarda corpo" que adorna a platibanda.

Além disso, a entrada elevada do edifício é justificada pelo porão projetado, que possui ventilação pelas aberturas menores sob as janelas maiores, promovendo maior circulação do ar no ambiente. Já as esquadrias da fachada principal são caracterizadas pelos arcos de volta perfeita, entretanto, o mesmo não ocorre na lateral, atribuindo uma composição mais austera e simples para esta vista. Ademais, essa variação destaca ainda mais a grandiosidade da principal fachada e ressalta as nuances e a riqueza da arquitetura eclética.

O acesso da edificação é determinado pela porta de entrada precedida por uma escada que leva a outra porta, característica marcante da época para preservação da intimidade dos moradores, visto que, as construções eram frequentemente erguidas nos limites do lote. Entretanto, essa disposição não apenas garante uma separação entre o espaço público e o privado, mas também revela uma preocupação com a privacidade em um contexto urbano, já que ao elevar a entrada, cria-se um espaço intermediário entre a rua e o interior do edifício.


Segundo Edifício HCB


As principais características do edifício são advindas do Art Déco, que a partir de 1925, refletia uma fascinação por novas máquinas, como aeronaves, automóveis e navios. Nesse sentido, na década de 1930, surgiu o movimento Streamline Moderne, inspirado pelo design aerodinâmico, com formas curvas, linhas horizontais longas e às vezes elementos náuticos

A simetria e axialidade, combinada com os vitrais de formato pequeno e diferenciado, o letreiro e a cruz estilizada por formas geométricas denunciam esse caráter. Assim como, o uso de concreto armado, linhas retas e o escalonamento dos andares que permitem distinguir onde começa e termina os pavimentos.


Arquiteto do Segundo Edifício HCB


Theodor Alexander Josef Wiederspahn nasceu em 19 de fevereiro de 1878, em Wiesbaden, Alemanha. Formou-se na Escola Real da construção em Idstein, também na Alemanha. Em 1908, imigrou para o Brasil, mais precisamente em Porto Alegre (RS), cidade na qual ajudou a construir mais de 500 edifícios. Enquanto trabalhava para a firma Ahrons, Wiederspahn projetou diversas edificações de importância para o estado, como o Hotel Majestic (Casa de Cultura Mário Quintana); o prédio da Delegacia Fiscal (Museu de Artes do Rio Grande do Sul), o Memorial do Rio Grande do Sul, a antiga Faculdade de Medicina da UFRGS, Banco do Comércio em Santa Maria, Osório, São Francisco e Cruz Alta, Banco da Província em Cruz Alta. Contudo, quando a Primeira Guerra iniciou, a firma foi fechada e Wiederspahn passou a trabalhar de forma autônoma. Após falir duas empresas, a Igreja Luterana o procurou para 16 projetos de igrejas e escolas, dentre elas, o Templo Martim Lutero em Cachoeira do Sul. Wiederspahn fez uso de iluminação zenital, concreto armado e amplos vãos livres nos seus projetos - soluções abundantemente adotadas na arquitetura atual. O renomado arquiteto morreu aos 74 anos, em seu sítio em Ponta Grossa.


Terceiro Edifício HCB


Já no 3° edifício atribuído ao complexo hospitalar, destacam-se os padrões modernistas que estavam em voga entre os anos de 1940-1960 no Brasil, onde rejeita os atributos dos estilos anteriores e preza pelo minimalismo. Nesse sentido, o edifício em questão apresenta um formato de cubo, sólido e robusto. Além disso, a inexistência de ornamentos demonstra a preferência de linhas e formas simples, além de transformar a estrutura da edificação em sua própria estética

Assim, a construção se insere plenamente no contexto da arquitetura moderna, onde a forma segue a função e a estética é definida pela simplicidade e pela honestidade no uso dos materiais. É possível destacar que o uso das linhas verticais conferem ao edifício uma sensação de verticalidade e imponência, direcionando o olhar para cima e destacando a estrutura. Já o acesso coberto sustentado por dois pilotis é outro elemento arquitetônico típico do modernismo, que visa proporcionar uma sensação de leveza e fluidez ao espaço.



 
 
 

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